sábado, 10 de abril de 2010

Autómato de circunspecção.

O cessar do estado fechado das percepções que manipulam os sentidos trazem-me uma realidade benevolente, desencadeiam diligências para proceder à verificação deste novo modo de tudo acontecer, mas nada do que aparenta estar presente é verificado de forma assertiva. É um processo realizado vezes sem conta, sempre com a mesma resposta, como se este algoritmo embutido em mim nunca fosse suficientemente alimentado para produzir um fenómeno tautológico, é o momento em que as sensações abrem caminho à liberdade indubitável, e única verdade, do autómato em que estou transformado.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um olhar ao pretérito recente.

Tudo parecia normal de uma forma, tudo guardava uma beleza particular de outra. Num instante, quando nada minimamente semelhante se esperava, ostracizei-me do resto da sociedade por momentos. Era algo pensado e ponderado, apesar de imprevisto na ocasião, tudo o que era expectável foi largamente superado e muito do que era inesperado passou por mim de uma forma que as palavras não descrevem, e não falo de sentimentos (esses são uma fraqueza da nossa condição), falo de sensações, e que sensações. Como se o coração já não fosse mais necessário, pois o sangue era agora impulsionado até perto da velocidade da luz por entre as minhas veias e artérias através de milhões de turbinas que iam sendo ligadas pela primeira vez, com uma aceleração exponencial, naquele curto espaço de tempo. Não precisava de racionalizar, tudo passou a vir de uma forma natural, tinha chegado ao final do meu horizonte, a paisagem com que sonhava havia sido ultrapassada, esta era a perfeição agradável à vista, a monumental cativação do espírito, a utopia que via a luz do dia. Nunca liguei muito aos princípios pelos quais se formam todos os juízos de valor morais ou estéticos da sociedade (apesar de estar inequivocamente ligado à mesma), mas ali a minha liberdade era total, sempre pensei que antes também o era, mas esta realidade, nem atingível até agora de forma imaginária, abriu (muitas) novas perspectivas, criando um plano perpendicular a tudo o resto. Com isto não quero dizer que vá tentar recuperar o passado, não preciso de mais, não tenho a necessidade de viver duas vezes, e este como tudo o que é demasiado bom, também é demasiado perigoso...

Há dias e Dias...

12/03/2010



Nenhum dia volta a acontecer, mas este... ai ui (e não, ainda não mijei para a boca de ninguém, é o outro sonho).

quinta-feira, 11 de março de 2010

O prelúdio da morte.

Na contingência de tal vir a suceder de forma imprevista, aqui confio as quase últimas, muito quase, palavras como manifestação de ânimo para com o conjunto de astros a que o Sol serve de centro, em particular ao planeta Terra. A minha idiossincrasia sempre teve limite para o nulo, sem lhe tocar, mas perto de o roçar e é nessa resignação quanto ao tema supracitado que me remeto à demonstração de amor também acima citada. A translineação desta página do livro da vida, de mãos dadas à translação de sentimentos para mim (com os meus sinceros agradecimentos devido às sensações nunca antes provadas), oferece de forma muito aguda um novo sentido a esta obra, afectando de forma subliminar a identidade que um dia teve a ideia de a criar. Assim, acomodo as palavras, que me seguiram durante tantas páginas coloridas ou cinzentas, e as páginas, que me acompanharam durante tantos capítulos com final sem tinta, no topo da minha estante, sempre reservado e guardado pela poeira, porque a minha história não necessita de um final, somente de uma eterna continuação...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sitio onde o Sol não se põe...

Navegava eu no meu interior, na fronteira da minha quase sempre inexorável mente durante mais um sono profundo, quando sou alertado para a presença de um vulto muito pouco vulgar devido à sua desconformidade em relação ao conceito de beleza a que sempre estive habituado. Um tornado de pensamentos e ideias, meras tentativas de compreensão do que ali se oferecia à vista, deixou somente uma palavra para trás, "Ignorância". O meu primeiro palpite, ligando o vulto e a anteriormente referida desconformidade à palavra revelada, tomou-o como ignorante erradamente, e muito rápido me apercebi disso, logo vi que tinha sido eu quem se tinha tornado ignorante pela forma como havia limitado os meus horizontes e percepções do que era belo. Agora entendia, regozijava pela nova descoberta e passava a apreciar o meu redor de forma completamente diferente, juntava infinitas possibilidades ao elemento que pensava ser sempre compacto e, dessa forma, absolutamente convergente.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Horizontes de uma beleza particular e invulgar.

Muito próximo de ser devolvido à inócua rotina de um invulgar estudante sinto-me ocioso em relação aos tempos vindouros. Novas vontades, novas realidades... A verdade é que se anteriormente os meus desejos e curiosidades tinham tons de Primavera - de verde e castanho - e um corpo moldável, dando-nos uma sensação de controlo absoluto sobre o futuro a que só alguns têm acesso, agora sinto-me inspirado pela cor que marca o Inverno - o contraste minimalista, a expansão virtual do espaço onde nos perdemos no tempo - e densidades muito mais baixas que ao que (quase) todos estão habituados, de uma necessidade de cuidado e atenção extremos para que não corramos o risco de que tudo se desvaneça em meio instante, simplesmente posso dizer que me antevejo neste horizonte de uma beleza particular e invulgar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Parecia tão simples...

Toda uma neblina que paira sobre os factos refutados por quem não tem o discernimento para realizar tais considerações, nem, quiçá, sequer ponderar acerca do sexo dos anjos. A partir de tudo isto somos remetidos para uma realidade paralela onde a nossa ignóbil existência é vangloriada como se um acto divino inexplicável fosse o seu ponto de partida. A maior parte de nós, humanos (?), vive nessa realidade exercendo tentativas sem fim de explanar o impossível... Porquê?

A minha resposta tem um âmbito não generalizável pela independência de pensamento à qual me imponho, dessa forma, prefiro não partilhá-la de forma a evitar más interpretações. No entanto, posso dizer que neste momento um garrote me daria algum jeito.