Tudo parecia normal de uma forma, tudo guardava uma beleza particular de outra. Num instante, quando nada minimamente semelhante se esperava, ostracizei-me do resto da sociedade por momentos. Era algo pensado e ponderado, apesar de imprevisto na ocasião, tudo o que era expectável foi largamente superado e muito do que era inesperado passou por mim de uma forma que as palavras não descrevem, e não falo de sentimentos (esses são uma fraqueza da nossa condição), falo de sensações, e que sensações. Como se o coração já não fosse mais necessário, pois o sangue era agora impulsionado até perto da velocidade da luz por entre as minhas veias e artérias através de milhões de turbinas que iam sendo ligadas pela primeira vez, com uma aceleração exponencial, naquele curto espaço de tempo. Não precisava de racionalizar, tudo passou a vir de uma forma natural, tinha chegado ao final do meu horizonte, a paisagem com que sonhava havia sido ultrapassada, esta era a perfeição agradável à vista, a monumental cativação do espírito, a utopia que via a luz do dia. Nunca liguei muito aos princípios pelos quais se formam todos os juízos de valor morais ou estéticos da sociedade (apesar de estar inequivocamente ligado à mesma), mas ali a minha liberdade era total, sempre pensei que antes também o era, mas esta realidade, nem atingível até agora de forma imaginária, abriu (muitas) novas perspectivas, criando um plano perpendicular a tudo o resto. Com isto não quero dizer que vá tentar recuperar o passado, não preciso de mais, não tenho a necessidade de viver duas vezes, e este como tudo o que é demasiado bom, também é demasiado perigoso...
Beats, Bets, Brags - Life
quarta-feira, 17 de março de 2010
Um olhar ao pretérito recente.
Tudo parecia normal de uma forma, tudo guardava uma beleza particular de outra. Num instante, quando nada minimamente semelhante se esperava, ostracizei-me do resto da sociedade por momentos. Era algo pensado e ponderado, apesar de imprevisto na ocasião, tudo o que era expectável foi largamente superado e muito do que era inesperado passou por mim de uma forma que as palavras não descrevem, e não falo de sentimentos (esses são uma fraqueza da nossa condição), falo de sensações, e que sensações. Como se o coração já não fosse mais necessário, pois o sangue era agora impulsionado até perto da velocidade da luz por entre as minhas veias e artérias através de milhões de turbinas que iam sendo ligadas pela primeira vez, com uma aceleração exponencial, naquele curto espaço de tempo. Não precisava de racionalizar, tudo passou a vir de uma forma natural, tinha chegado ao final do meu horizonte, a paisagem com que sonhava havia sido ultrapassada, esta era a perfeição agradável à vista, a monumental cativação do espírito, a utopia que via a luz do dia. Nunca liguei muito aos princípios pelos quais se formam todos os juízos de valor morais ou estéticos da sociedade (apesar de estar inequivocamente ligado à mesma), mas ali a minha liberdade era total, sempre pensei que antes também o era, mas esta realidade, nem atingível até agora de forma imaginária, abriu (muitas) novas perspectivas, criando um plano perpendicular a tudo o resto. Com isto não quero dizer que vá tentar recuperar o passado, não preciso de mais, não tenho a necessidade de viver duas vezes, e este como tudo o que é demasiado bom, também é demasiado perigoso...
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