sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma sensação a cada momento.

A natural ascensão das impressões produzidas por tudo o que é exterior ao espírito - e posterior conversão em ideias ou percepções - actua paralelamente em todos os nossos sentidos. Acima de tudo, todos eles, são catalisadores para uma experiência única em singular, experiência essa que é normalmente subestimada (levando ao seu consequente desaproveitamento). É através deles que realmente se sente e pelos quais somos levados para um conjunto de circunstâncias que espelham a nossa face crua, a nossa mais pura inocência.

Agora, que conseguimos atingir esse estado, partindo de um aglomerado de sensações é-nos dada a possibilidade de dividir o tempo em instantes e, como se tivéssemos o poder de parar o mesmo, podemos em seguida saborear cada quantum de cada vez, calmamente, até que pela soma das partes atingimos um todo e somos brindados com a possibilidade de passar à próxima presença, num processo libertador e causador de deleite, aptos a viciar o sistema.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sem sentido, com compaixão.

Por mais que tente, não consigo encontrar um rumo, uma orientação, uma forma de compreender as circunstâncias que me levaram a estar nesta vicissitude. É uma fase em que o prazer tem como cônjuge a loucura, enquanto as memórias se tornam irrelevantes, desnecessárias, e num ritmo lento, mas suficientemente grande para causar mossa, se desvanecem para dar lugar a um maior aproveitamento dos fenómenos de especificidade momentânea. Este desaparecimento da nostalgia deve-se a alguma coisa que tem ocupado a minha cabeça, um mistério por desvendar. É algo que me faz rir, mas não devia - a única pista.

Faz-me rir, embora me arranhe de forma dolorosa e me arrepie de forma saborosa, e por esse motivo, não consigo deixar de considerar que, apesar de tudo, até acabo por gostar desta presença que desconheço, que talvez até prefira que se mantenha incógnita - um enigma sem solução - porque tudo isto é um misto de insanidade e caos onde me sinto bem, onde tudo está organizado, num sentido perfeito e minimalista.