Por mais que tente, não consigo encontrar um rumo, uma orientação, uma forma de compreender as circunstâncias que me levaram a estar nesta vicissitude. É uma fase em que o prazer tem como cônjuge a loucura, enquanto as memórias se tornam irrelevantes, desnecessárias, e num ritmo lento, mas suficientemente grande para causar mossa, se desvanecem para dar lugar a um maior aproveitamento dos fenómenos de especificidade momentânea. Este desaparecimento da nostalgia deve-se a alguma coisa que tem ocupado a minha cabeça, um mistério por desvendar. É algo que me faz rir, mas não devia - a única pista.Faz-me rir, embora me arranhe de forma dolorosa e me arrepie de forma saborosa, e por esse motivo, não consigo deixar de considerar que, apesar de tudo, até acabo por gostar desta presença que desconheço, que talvez até prefira que se mantenha incógnita - um enigma sem solução - porque tudo isto é um misto de insanidade e caos onde me sinto bem, onde tudo está organizado, num sentido perfeito e minimalista.
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