quarta-feira, 17 de março de 2010

Um olhar ao pretérito recente.

Tudo parecia normal de uma forma, tudo guardava uma beleza particular de outra. Num instante, quando nada minimamente semelhante se esperava, ostracizei-me do resto da sociedade por momentos. Era algo pensado e ponderado, apesar de imprevisto na ocasião, tudo o que era expectável foi largamente superado e muito do que era inesperado passou por mim de uma forma que as palavras não descrevem, e não falo de sentimentos (esses são uma fraqueza da nossa condição), falo de sensações, e que sensações. Como se o coração já não fosse mais necessário, pois o sangue era agora impulsionado até perto da velocidade da luz por entre as minhas veias e artérias através de milhões de turbinas que iam sendo ligadas pela primeira vez, com uma aceleração exponencial, naquele curto espaço de tempo. Não precisava de racionalizar, tudo passou a vir de uma forma natural, tinha chegado ao final do meu horizonte, a paisagem com que sonhava havia sido ultrapassada, esta era a perfeição agradável à vista, a monumental cativação do espírito, a utopia que via a luz do dia. Nunca liguei muito aos princípios pelos quais se formam todos os juízos de valor morais ou estéticos da sociedade (apesar de estar inequivocamente ligado à mesma), mas ali a minha liberdade era total, sempre pensei que antes também o era, mas esta realidade, nem atingível até agora de forma imaginária, abriu (muitas) novas perspectivas, criando um plano perpendicular a tudo o resto. Com isto não quero dizer que vá tentar recuperar o passado, não preciso de mais, não tenho a necessidade de viver duas vezes, e este como tudo o que é demasiado bom, também é demasiado perigoso...

Há dias e Dias...

12/03/2010



Nenhum dia volta a acontecer, mas este... ai ui (e não, ainda não mijei para a boca de ninguém, é o outro sonho).

quinta-feira, 11 de março de 2010

O prelúdio da morte.

Na contingência de tal vir a suceder de forma imprevista, aqui confio as quase últimas, muito quase, palavras como manifestação de ânimo para com o conjunto de astros a que o Sol serve de centro, em particular ao planeta Terra. A minha idiossincrasia sempre teve limite para o nulo, sem lhe tocar, mas perto de o roçar e é nessa resignação quanto ao tema supracitado que me remeto à demonstração de amor também acima citada. A translineação desta página do livro da vida, de mãos dadas à translação de sentimentos para mim (com os meus sinceros agradecimentos devido às sensações nunca antes provadas), oferece de forma muito aguda um novo sentido a esta obra, afectando de forma subliminar a identidade que um dia teve a ideia de a criar. Assim, acomodo as palavras, que me seguiram durante tantas páginas coloridas ou cinzentas, e as páginas, que me acompanharam durante tantos capítulos com final sem tinta, no topo da minha estante, sempre reservado e guardado pela poeira, porque a minha história não necessita de um final, somente de uma eterna continuação...