Existem épocas aleatórias em que algo leva a crer que nem tudo o que interage connosco - seja de forma activa ou passiva - no âmbito existencial, está completamente consistente (ou certo). Podemos não ter momentaneamente a faculdade de discernir o que é, do que se trata, mas temos essa consciência através de um fenómeno irrevogavelmente nada lógico, o sentimento. A partir deste, nada pode ser provado, verdade seja dita, por mais proposições e argumentos que nos consigamos lembrar, todos os nossos sentimentos num dado instante das nossas vidas são impossíveis de estabelecer em forma de verdade incontestável, são irracionais. É atingido um paradigma, que desde a nossa nascença nos acompanha: se nada podemos provar a partir do sentimento, então nem existe tal coisa, pois a única forma de a demonstrar é sentido, algo que não podemos utilizar e tudo continua na mesma, ou parece continuar, porque ironicamente sinto que não está. De facto, não conseguindo confirmar a veracidade de algo através da nossa consciência intima tudo se transforma...Vivemos num lugar onde muitos falam de racionalidade, onde se exorta a necessidade de um comportamento mais racional, onde se sente que é isso que nos falta para atingir algo incrível e chegar a um patamar melhor - erros em demasia, erros levados a agir em função dos sentimentos (um fruto de pensar de forma paralela aos mesmos). Eu, ironicamente sinto, que quase todos nunca saberão o que é racionalidade, que quase nada alguma vez fará sentido.
