domingo, 23 de maio de 2010

Sentido como contrário de sentir.

Existem épocas aleatórias em que algo leva a crer que nem tudo o que interage connosco - seja de forma activa ou passiva - no âmbito existencial, está completamente consistente (ou certo). Podemos não ter momentaneamente a faculdade de discernir o que é, do que se trata, mas temos essa consciência através de um fenómeno irrevogavelmente nada lógico, o sentimento. A partir deste, nada pode ser provado, verdade seja dita, por mais proposições e argumentos que nos consigamos lembrar, todos os nossos sentimentos num dado instante das nossas vidas são impossíveis de estabelecer em forma de verdade incontestável, são irracionais. É atingido um paradigma, que desde a nossa nascença nos acompanha: se nada podemos provar a partir do sentimento, então nem existe tal coisa, pois a única forma de a demonstrar é sentido, algo que não podemos utilizar e tudo continua na mesma, ou parece continuar, porque ironicamente sinto que não está. De facto, não conseguindo confirmar a veracidade de algo através da nossa consciência intima tudo se transforma...

Vivemos num lugar onde muitos falam de racionalidade, onde se exorta a necessidade de um comportamento mais racional, onde se sente que é isso que nos falta para atingir algo incrível e chegar a um patamar melhor - erros em demasia, erros levados a agir em função dos sentimentos (um fruto de pensar de forma paralela aos mesmos). Eu, ironicamente sinto, que quase todos nunca saberão o que é racionalidade, que quase nada alguma vez fará sentido.

domingo, 16 de maio de 2010

De intersecções para a intercessão.

Na singularidade da ausência momentânea de conteúdo nos caminhos pelos quais a minha faceta endógena vagueia, vi-me no dever de aceder a qualquer tipo de fenómeno de intercessão que despertasse algo fora da área onde normalmente me condenso, uma forma de explorar um paralelismo que poderá ser interessante no porvir. Existem questões que se impõem, factos que se cruzam e horizontes que desabam numa dimensão onde a atenção que os alimenta já não vai ser dada por mim - quando a intersecção dos factos que os construíram nada mais dá que um conjunto vazio. Não vejo interesse em continuar, estou cansado ou sou preguiçoso - talvez ambos, e não me apetece reconstruir vezes sem conta pelo prazer de observar tudo a cair, por agora.